Archive for dezembro, 2008

houve uma vez…

atenção! contém palavra de baixo calão!

nestas épocas de festas, sempre me lembro de uma historia contada há uns três anos por um amigo…

22 de dezembro, almoço de natal, mesão de churrascaria, 58 pessoas perfiladas num lado, 87 no outro (o chefe estava no primeiro), e dentre elas haviam esposas, maridos, filhos, irmãos, irmãs, cunhados, sogras, empregadas, babás… todos afim de aproveitar a ‘ceia’ farta, custo zero, bebida gelada, e por quê não, contar anedotas de salão?

entre uma picanha maturada e uma fraldinha, alguém levantava o indicador para o alto, pedia a atenção dos demais, e falava uma anedota curta, nem sempre engraçada (não à toa, meu amigo não se lembra de nenhuma), mas todos davam risadas, uns não entendiam, algumas forçadas, já que a estória assim pedia, mas estavam em clima de confraternização, mesmo que a maioria nem se conhecesse:

– você não é a prima da marcinha que fica na máquina fotocopiadora?

– oi ném, não! eu sou a mulher do irmão do paiva, ném…

– e onde está a prima da marcinha?

– ué, ném! e não é aquela ali conversando com o enteado do silva?

passadas duas horas de almoço, todos frenéticos: ‘eu vim aqui pra dá prejuízo!’, eis que do fundo, em meio as anedotas, surge um senhor distinto (desculpe o clichê, mas não consigo imaginar termo diferente para descrevê-lo), terno, meia idade, levanta timidamente o seu indicador e à espera fica… as pessoas demoraram a perceber sua vontade de contar uma piada, afinal, só rira, para dentro, das do filho do silveirinha, um moleque infernal de 11 anos, que contou umas três, sujas, de joãozinho e professora…

anunciando o óbvio: o espanto foi geral! a mesa inteira estava afoita para ouvir as palavras engraçadas que estavam por vir! se amontoaram ao redor, olhou o perímetro da mesa, todos à postos, até os garçons por motivos de cansaço excessivo, pararam… as mesas ao lado, obrigadas a dar uma trégua, automaticamente viraram platéia… foi quando apontou para o vento e puxou:

– era uma vez uma chupador de buceta…

muitos soltaram gargalhadas histéricas (meu amigo foi um desses), têve quem se ofendesse, olhares tortos voavam sobre a mesa, as gargalhadas histéricas só aumentavam, os que não entenderam começaram a achar graça da reação do momento ‘enterro de palhaço’ que pairava sobre a mesa… aos poucos os ânimos foram baixando, os garçons voltaram a atender os pedidos, as mesas do entorno foram, aos poucos, se recompondo e voltando a seus lugares de origem e o clima de ‘comer até explodir’ já estava restaurado no recinto…

e o mundo nunca saberá o final dessa piada…


©Todos os direitos reservados

nota do editor:
Estava procurando o final dessa piada na internet quando me deparei com um texto, bem parecido com o meu, que sempre me foi passado como verídico, e até acredito mesmo que seja, meu amigo não é dado à mentiras, mas achei esse abaixo. Como esse texto é de alguma forma muito parecido, resolvi publicá-lo também, caso alguém conheça, favor entre em contato:
A mulher convida os amigos do trabalho para um jantar em sua casa, mas alerta insistentemente o marido para que ele não contasse nenhuma piada durante o jantar, porque ele só contava piadas pesadas. Após a refeição, um dos convidados, que sabia que ele era bom contador de piadas, insiste para que o anfitrião conte uma piada.
A mulher olha sério para o marido que diz:
– Não, não quero contar piada, não!
E o convidado insiste:

– Mas eu sei que você é bom contador de piadas. Conte ao menos uma!
A mulher nervosa pisa no pé do marido que responde:
– Não, eu só conheço piada pesada!

E o convidado insiste:

– Conte então a piada mais leve que você conhece!
E então o marido diz:
– Tá bom! Já que você insiste, vou então contar a piada mais leve que eu conheço.
A esposa já ia beliscar o marido quando ele inicia sua piada:
– Era uma vez um chupador de bucetas…

27/12/2008 at 15:11 Deixe um comentário

quem conta um conto…

esta é uma história verídica que eu ouvi domingo passado (14) e me senti atraído a contá-la… talvez, ao longo das palavras, tenha colocado uma ou outra coisa que não aconteceu, afinal: ‘quem conta um conto’…

naquela segunda-feira de manhã, todo o dispensável aconteceria com daniel: perdera o ônibus, atrasado na escola, recebeu sua terceira advertência e não pôde assistir a primeira aula… após 25 minutos de espera na fila no recreio, acabou o refrigerante de cola que ele tanto queria para acompanhar sua bananada… na educação física, jogando vôlei, ao salvar uma bola, metade da pele de seu joelho ficara na quadra e, como acontece com TODOS (para seu alívio posterior), seu time não conseguiu passar a bola e, independente de seu esforço, o adversário marcara ponto…

nada disso abalaria tanto o seu dia como o fato que estava para acontecer…

há um certo detalhe que até o momento fora velado: daniel é gago… de nascença… dos piores! e não sabe controlar sua gagueira… já tentou falar mais grosso, mais fino, cantando, rápido, devagar… nada adiantou… ou convivia bem com sua gagueira ou desistia de falar… porém, essa última opção era inviável…. ele adorava as palavras… não teria como livrar-se delas… qual a solução? lia bastante… até gostaria de escrever, mas não o fazia…. produziu um poema certa vez, falando sobre o invólucro feminino, da infelicidade do amor não-correspondido, da falta que os anos que não tinha lhe faziam para entender os pensamentos de uma mulher… era sublime… contudo, quando pediram-lhe para proclamá-lo, o que ouviram foram 4 ou 5 tentativamos de balbuciar ‘o sol’:

– o… o… o… o so… o so… o….

não é necessário dizer o final desta estória, porém, como estou aqui para contá-la, não cabe a mim escondê-lo: daniel engoliu o bilhete, nunca mais escreveu e hoje o mundo sofre sem a sua poesia….

os leitores mais curiosos devem estar se perguntando o que aconteceu com daniel no dia das infelicidades, os outros já fecharam a página e estão fazendo qualquer outra atividade… pois bem, chegara no ponto de ônibus e duas meninas, por volta de sua idade, aparecem ao longe…. eram de uma escola vizinha à sua, no mesmo bairro… diferente das expectativas costumeiras, quanto mais se aproximavam, mais bonitas pareciam ser…

daniel, como todo rapaz de sua idade, não conseguia ficar sem olhar para as duas… uma em especial chamou-lhe a atenção: a da direita…

após chegarem ao ponto, conforme o costume de todas as meninas dessa idade, riam alto, faziam piadas sem graça, contavam estórias vazias, riam mais alto ainda… mesmo assim, daniel, não parava de flertar com a menina da direita…

parecendo ser algo de se esperar, as duas olharam para ele, se fecharam em forma de concha, cochicharam duas ou três frases e a da esquerda foi ao encontro de daniel…

e desde o primeiro passo dela em sua direção, até o momento em que chegou perto e ameaçou abrir a boca, algo que deve ter durado por volta de 12 segundos, seus pensamentos eram rápidos e descontruídos, como um taquígrafo bêbado captando uma conversa de metrô:

‘meio dia e trinta e dois! é isso! ela quer saber a hora! falarei meio dia e trinta e dois! finjo que olho no relógio, descontraído, e digo – meio dia e trinta e dois – pronto! simples assim… meio dia e trinta e dois… mas e se já forem meio dia e trinta e três? não! melhor não dar sorte ao azar… ‘meio dia e trinta e dois, gatinha’… não! gatinha, não! ela ‘tá se aproximando, ‘tô demorando a me decidir, mas isso é certo: no ‘meio dia e trinta e dois’ eu não vou gaguejar! meio dia e trinte e dois é meio dia e trinta e dois! não dá pra gaguejar meio dia e trinta e dois! ela chegou, meu Deus, o que fazer? ‘meio dia e trinta e dois’!’

– oi… minha amiga te achou gatinho, qual o seu nome?

– m…?

‘ãh? não era a hora? como assim ‘gatinho’? a menina da direita? tem certeza? mas é simples, meu nome é daniel!’

– …

– oi…. seu nome é?

– …!

– hum…

– …!!!

– ah, tudo bem, ó, num liga não… depois a gente se fala, tá?

subiram no ônibus, rindo da situação inusitada e, como vieram, foram…

e durante os 20 minutos do trajeto do ponto de ônibus até sua casa foi falando o que recheava sua cabeça, não conseguindo pensar, falar, ou fazer qualquer ato que não fosse ingerir uma única palavra, consecutivamente:

– DANIEL! DANIEL! DANIEL!


©Todos os direitos reservados

22/12/2008 at 10:18 2 comentários

só a bailarina que não tem…

por incrível que pareça, eu fiz uma amiga no trabalho… a grande mocinha, fernanda!
dei uma música a ela (como não poderia deixar de ser, do chico) e a princípio ela não entendeu, achou estranho, mas aceitou… depois, ouvindo milhares de vezes passou a adorar, a achar o máximo e adorou a homenagem!

eu (pois é, não gosto de sair em fotos) e fernanda com a camisa que a mocinha me deu

eu (pois é, não gosto de sair em fotos) e fernanda (nem ela, por isso pediu pra colocar este desenho que fiz da própria) com a camisa que a mocinha me deu

quarta-feira ela me deu esse presente! um puta dum presente!

ela disse que a camisa é a minha cara, realmente parece… eu não esperava! ela conseguiu me emocionar… por pouco não arrancou lágrimas dos meus olhos…

mas não tem problema…

fernanda: quando você menos imaginar eu me vingarei!

19/12/2008 at 00:40 1 comentário

gostosa, quentinha, tapioca (re-fazendo-post)

Carioca
Chico Buarque

Gostosa
Quentinha
Tapioca
O pregão abre o dia
Hoje tem baile funk
Tem samba no Flamengo
O reverendo
No palanque lendo
O Apocalipse
O homem da Gávea criou asas
Vadia
Gaivota
Sobrevoa a tardinha
E a neblina da ganja
O povaréu sonâmbulo
Ambulando
Que nem muamba
Nas ondas do mar
Cidade maravilhosa
És minha
O poente na espinha
Das tuas montanhas
Quase arromba a retina
De quem vê
De noite
Meninas
Peitinhos de pitomba
Vendendo por Copacabana
As suas bugigangas
Suas bugiganga

Postei essa música porquê é a tradução literal do que vivemos no Rio…

Outra que eu também gostaria de postar é essa:

Aquela mulher
Chico Buarque

Se você quer mesmo saber
Por que que ela ficou comigo
Eu digo que não sei
Se ela ainda tem seu endereço
Ou se lembra de você
Confesso que não perguntei

As nossas noites são
Feito oração na catedral
Não cuidamos do mundo
Um segundo sequer
Que noites de alucinação
Passo dentro daquela mulher
Com outros homens, ela só me diz
Que sempre se exibiu
E até fingiu sentir prazer
Mas nunca soube, antes de mim
Que o amor vai longe assim
Não foi você quem quis saber?

Agora, imaginem o cara que foi corno do Chico Burque ouvindo essa música!

Deixo a cargo dos leitores a pensar o que quiserem…

16/12/2008 at 20:11 2 comentários

ah, dá um desconto… é o primeiro!

all star personalizado

all star personalizado

tá meio cagalhudo, eu sei… mas, eu gostei!

16/12/2008 at 00:34 2 comentários

fim da existência na terra… se nada podemos fazer, relaxemos…

parece impossível conceber isso vindo de mim, mas é a pura verdade: não gosto de gírias, muito menos de usá-las!


creio ser um reducionismo de vocabulário, embora, paradoxalmente, adore neologias e seja bastante dado à elas…

mas o problema delas parece vir de outra forma… o que realmente me incomoda é a forma que ao longo das gerações as palavras foram se perdendo… ganhamos novas, claro, mas outras, porém, ficaram esquecidas, caindo em desuso, entrando para o hall do léxico não-comum… óbvio que enriquecemos nosso banco de palavras, mas como a lei da compensação é cruel, empobrecemos o nosso repertório particular…

pois bem, tanto blablablá para depois poder me contradizer e declarar que adoro algumas gírias (ué?!)! e em determinados casos não consigo não usá-las!

assim como os palavrões, existem interjeições, sentimentos, palavras de conforto e conclusões que só a gíria consegue expressar….

caminhando pela rua, passa um camarada seu:

– olá, meu bom homem, como vossa senhoria se encontra?

– oi, rapaz, como é que você está?

– e aí? como vai essa força?

não! não convence! o ideal, em casos assim, até para não perder tempo, é simplesmente falar:

– coéééé?!

pronto! neste ‘coé’ (junção do pronome relativo qual + verbo de ligação ser) estão embutidas todas as outras frases que viriam a seguir: tudo bom? como é que você está? trabalhando muito? namorando? tem saído? tem visto o pessoal?

há pouco tempo, uma menina (deveras interessante) que conheci expressou um certo incômodo pelo meu ‘relaxa’… impossível falar dele sem explicar, cronologicamente, quando ele passou a ser inserido em minha forma de pensar e agir…

o ano era 1999 (adoro começar uma frase com ‘o ano era…’), época de transição, início da fase que eu acreditava ser a adulta, término do meu primeiro relacionamento, um mundo novo se abrindo, último ano do milênio, acabando a escola, e o mundo, que ia se acabar na segunda-feira, 16 de agosto, resolveu continuar dando o ar de sua graça… eis que por volta das 19 horas recebo uma ligação: era ela!

opa! pára tudo! mais de um mês que ela não falava comigo, tínhamos nos conhecido em uma festa na casa de uma colega da escola… tudo havia começado no momento que a amiga em comum derramou vinho na blusa dela… papo vai, papo vem, se conhece dali, se conhece daqui e, encurtando a história, o final deixo à cargo da imaginação dos leitores que não tenho…

mas o que queria ela, um mês depois de não mais atender as minhas ligações?

– pô, pensei em você o dia todo! – disse ela em tom eufórico…

– jura? legal, mas por quê?

– pô! o mundo ia acabar e você, morrer virgem!

para não me debulhar em lágrimas, ou sair correndo e pular a primeira janela que estivesse ao alcance (neste caso a profecia dela se concretizaria), resolvi pensar: relaxa, rapaz, não há com o que se preocupar… e relaxado fiquei….

desde esse dia (um pouco antes, na verdade, mas foi nele que marcou), ‘relaxar’ ou pedir para que outrem o faça, tornou-se parte integrante deste ser e não pode ser vendido separadamente… quanto à não gostar de falar gírias e mesmo assim ter que conviver com elas, eu ‘relaxo’…


©Todos os direitos reservados

15/12/2008 at 23:39 Deixe um comentário

dívida

confesso que estou devendo… mais pra mim que qualquer outra pessoa… mudarei isso!

15/12/2008 at 06:22 Deixe um comentário

Posts antigos


Coração de Poeta


sou só um mensageiro, um profeta, contador de estórias: coração de poeta

twitter…

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

flickr...

multi-uni-verse

Boring Dad

Similis vobis

Mais fotos

esperança…