fim da existência na terra… se nada podemos fazer, relaxemos…

15/12/2008 at 23:39 Deixe um comentário

parece impossível conceber isso vindo de mim, mas é a pura verdade: não gosto de gírias, muito menos de usá-las!


creio ser um reducionismo de vocabulário, embora, paradoxalmente, adore neologias e seja bastante dado à elas…

mas o problema delas parece vir de outra forma… o que realmente me incomoda é a forma que ao longo das gerações as palavras foram se perdendo… ganhamos novas, claro, mas outras, porém, ficaram esquecidas, caindo em desuso, entrando para o hall do léxico não-comum… óbvio que enriquecemos nosso banco de palavras, mas como a lei da compensação é cruel, empobrecemos o nosso repertório particular…

pois bem, tanto blablablá para depois poder me contradizer e declarar que adoro algumas gírias (ué?!)! e em determinados casos não consigo não usá-las!

assim como os palavrões, existem interjeições, sentimentos, palavras de conforto e conclusões que só a gíria consegue expressar….

caminhando pela rua, passa um camarada seu:

– olá, meu bom homem, como vossa senhoria se encontra?

– oi, rapaz, como é que você está?

– e aí? como vai essa força?

não! não convence! o ideal, em casos assim, até para não perder tempo, é simplesmente falar:

– coéééé?!

pronto! neste ‘coé’ (junção do pronome relativo qual + verbo de ligação ser) estão embutidas todas as outras frases que viriam a seguir: tudo bom? como é que você está? trabalhando muito? namorando? tem saído? tem visto o pessoal?

há pouco tempo, uma menina (deveras interessante) que conheci expressou um certo incômodo pelo meu ‘relaxa’… impossível falar dele sem explicar, cronologicamente, quando ele passou a ser inserido em minha forma de pensar e agir…

o ano era 1999 (adoro começar uma frase com ‘o ano era…’), época de transição, início da fase que eu acreditava ser a adulta, término do meu primeiro relacionamento, um mundo novo se abrindo, último ano do milênio, acabando a escola, e o mundo, que ia se acabar na segunda-feira, 16 de agosto, resolveu continuar dando o ar de sua graça… eis que por volta das 19 horas recebo uma ligação: era ela!

opa! pára tudo! mais de um mês que ela não falava comigo, tínhamos nos conhecido em uma festa na casa de uma colega da escola… tudo havia começado no momento que a amiga em comum derramou vinho na blusa dela… papo vai, papo vem, se conhece dali, se conhece daqui e, encurtando a história, o final deixo à cargo da imaginação dos leitores que não tenho…

mas o que queria ela, um mês depois de não mais atender as minhas ligações?

– pô, pensei em você o dia todo! – disse ela em tom eufórico…

– jura? legal, mas por quê?

– pô! o mundo ia acabar e você, morrer virgem!

para não me debulhar em lágrimas, ou sair correndo e pular a primeira janela que estivesse ao alcance (neste caso a profecia dela se concretizaria), resolvi pensar: relaxa, rapaz, não há com o que se preocupar… e relaxado fiquei….

desde esse dia (um pouco antes, na verdade, mas foi nele que marcou), ‘relaxar’ ou pedir para que outrem o faça, tornou-se parte integrante deste ser e não pode ser vendido separadamente… quanto à não gostar de falar gírias e mesmo assim ter que conviver com elas, eu ‘relaxo’…


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