atro-(cidade)/(pelado)…

05/11/2009 at 13:55 2 comentários

Sílvia havia termiado seu namoro na noite anterior, tudo o que não precisava era ser mandada embora na segunda hora do dia. Com muita raiva, dirigia sua Uno 2001, entrou na rua sem prestar atenção, desviou de Paulo, porém…

Paulo estava com muita vontade de comer açaí, passou uma semana com esse desejo e estava feliz a caminhar pela rua, com o copo do suco, quando o canudo, ainda no papel protetor, caiu no meio da rua e ao abaixar-se viu um carro em sua direção, e foi o tempo de pular para o lado, cair em cima do açaí, olhar para trás e gritar ‘cuidado!’ para Roberto, só que…

Roberto corria, mas corria muito, estava super atrasado, sua entrevista era em 2 minutos e havia acabado de imprimir seu currículo na papelaria, ‘maldita hora pra uma impressora quebrar’, e, como se não bastasse, pé n’água, uma poça enorme, e o segundo pé também, ao desesquilibrar-se seu currículo titubeou cair, malabares com papel, e feliz ia ao ver um carro passar por uma rapaz que se jogou em cima do açaí e gritou, ‘mas só pode ser pra mocinha atrás, eu estou vendo’ e deu um passo para frente, o carro passou, mas ao olhar para Paula…

Paula estava voltando da academia e pulava de alegria, pois já havia perdido 1/3 do peso que se propora jogar fora, pois realmente estava precisando ‘dá uma moral’ pra auto-estima, só conseguia ter os pensamentos voltados para Tadeu, e amanhã usaria o vestido florido e tomaria café com ele, que não tinha como não prestar atenção nela, as unhas estavam meticulosamente feitas, mas seus planos iriam abaixo após ver um rapaz se arremessando no chão, outro se desviando e o carro vindo em sua direção, sua vida passando nesse segundo e o carro desviando dela, que, por ser ‘avantajada’ tapou a visão da motorista que não viu Joana…

Joana havia soltado a mão de sua babá e, ao atravessar a rua com seu cachorro, achou que ia ser bom ficar pulando as imperfeições do asfalto, algo místico na cabeça das crianças faz com que elas façam isso, mas na verdade, na dos adultos também, o problema é que as convenções mundanas fazem com que percamos ao longo, embora, às vezes, ao andarmos pelo calçadão de Copacabana, por exemplo, tentemos colocar os pés só nas pretas, ou, por ventura, só nas brancas e andar sem perceber o mundo à nossa volta, e foi exatamente isso que aconteceu com ela, que ao ouvir o grito de Paulo, se assustou e correu para trás de Paula na tentativa de se esconder, mas quando viu o carro se aproximando, foi para o mesmo lado que ela e seu salvou, mas se esqueceu de Chiquinho…

Chiquinho era um beagle muito dócil e tinha quatro anos.

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meus pés… passos para quem quiser me irritar…

2 Comentários Add your own

  • 1. juzanotelli  |  06/11/2009 às 16:08

    oooinn.. tadinho do Chiquinho.. ://

    e eu sou igual a Joana.. até hj ficou brincando de “n pisar na linha” ou “pisar só nos quadrados pretos”… rs

  • 2. coracaodepoeta  |  06/11/2009 às 20:11

    é tão bom, né?
    a gente fica se travando muito…

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