eu não quero namorar (com você!)… [Atualizado dia 19/10/09]

09/10/2009 at 10:18 9 comentários

‘Enviar’

Viu umas quatro ou cinco vezes esse botão, mas antes de mandar, releu o texto:

Não sei o porquê de te enviar esta mensagem, mas a vontade está aqui e assim estou fazendo. Outro dia, caminhando na rua, te vi com uma pessoa. Até então, normal, você já não me ligava mais, achei que pudesse ter acontecido algo do tipo, realmente. Ao encontrar os amigos em comum vi que você, logo você, que vivia dizendo ‘não quero namorar, não estou nessa época, não me sinto à vontade, tenho que me preparar’, estava, para meu espanto, namorando.

É, reler aquilo era duro. Não fazia idéia do quanto gostava. As memórias pipocavam. Por quê não deram certo? Sem resposta, continuou.

Não acreditei, claro! Será que tudo o que vivemos foi em vão? Será que ter me jogado em uma relação sem futuro me valeu a pena? Meu peito dói. Não sei qual a sua parcela de culpa. Talvez todas. Talvez nenhuma. Falta de aviso não foi. Incansáveis foram as vezes que repetistes para mim: não quero namorar!

E como o sol encoberto pela tempestade, você sumiu! – Ai, isso não, brega demais. (delete) Você sumiu! Desapareceu da mesma forma que apareceu. Mas você mudou a minha vida. Abriu um mundo novo. Como alguém de suma importância pode ir sem ao menos dar ‘tchau’? Quero continuar nesse universo que você me apresentou, mas como? Estas questões ficam martelando, martelando, martelando… Não encontro respostas.

Não se conteve: chorou!

Fui catar umas fotos nossas. Como nos divertíamos, não? Entrei na sua página de relacionamento para ver suas fotos. Primeira coisa de notei foi o seu status de relacionamento: ‘namorando”, logo quem ‘não queria namorar’. E várias imagens no album. Todas bloqueadas para mim. Tudo bem, como minha curiosidade foi grande, e mudei o meu X9 para ver suas fotos em páginas de amigos. Todas em que estavas, aquela outra pessoa estava contigo. estavam felizes, né?! Tudo o que me prometestes, fizeram juntos. Mas por quê? Não seríamos um casal bom o suficiente? Eu apostava tudo em nós.

Acredito que te faria mais feliz. – Pesado, não? Talvez prepotente. Ah, tô com raiva, mesmo, vou mandar assim. – Não te vejo com a mesma felicidade que te via ao estar comigo. – Mentira! Essas fotos estão lindas! Como eles estão felizes! Nossa! Mas e eu? Eles estão tão bem. Mas qual o problema de namorar comigo? – Aconteceu alguma coisa? – Isso é complicado, vou acabar ouvindo o que não quero… Ou será que quero? – Por favor, se precisares de um ombro amigo, estarei aqui, tá? Pode contar comigo, já que, as circusntâncias fizeram eu perder uma pessoa querida, da qual eu sempre confiei! – Essa é pra doer, mesmo!

Olho nossas fotos, lembranças, problemas que passamos juntos, risadas e não entendo como que o ‘não quero namorar’, pelo que eu entendi, era só comigo, né?

Mas é a vida. Dessa vez eu perdi. Ou será que ganhei? Não me mostra muito caráter ao dizer uma coisa e fazer outra. Eu quero uma pessoa assim do meu lado? Diz uma coisa e faz outra? Acho que não – Raiva! Não, não posso mandar isso, melhor apagar. (Delete) Vou colocar assim: – Mas é a vida. Não importa o que perdemos, apenas o que deixamos de ganhar. E, sinceramente, eu tinha muito a dar, porém, como não quisestes receber, a culpa não foi minha, – Mas o que eu fiz?! Por que não namorar comigo? – e, do fundo do coração, só quero que você seja feliz. Já que não é do meu lado, que seja dessa pessoa feia, sem classe, baixo nível total, afinal: cada um tem o que merece!


E apertou o ‘Enviar’.

(a Isis que me desculpe quanto ao título, mas, pode usar também e fazer a sua abordagem. Tivemos a idéia dele, juntos.)

Outro dia um camarada veio me dizer que namorar é verdo transitivo direto e não pede preposição, logo, o certo é ‘eu não quero namorar (você)’, porém, em minha defesa, recorro a Oswald de Andrade e a Carlos Drummond de Andrade:

Pronominais
Oswald de Andrade

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro


No meio do caminho
Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


©Todos os direitos reservados

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mais presente… eggclipse…

9 Comentários Add your own

  • 1. selectomsv  |  09/10/2009 às 10:30

    Ainda bem que enviou… às vezes o que escrevemos tem destinatário certo. Não para eles que recebem, mas para nós que escrevemos faz todo o sentido.

  • 2. Náshara  |  09/10/2009 às 11:05

    Hum… entendo!
    É meu amigo, é o retorno de Saturno!

  • 3. coracaodepoeta  |  09/10/2009 às 11:07

    Obrigado, minha amiga!
    (É comentário interno, né?! :))

  • 4. juzanotelli  |  09/10/2009 às 12:59

    eu tbm envio tudo! hauihaiuhiauha
    sou sem controle quanto se trata de emails.
    humm.. mas a pessoa n perdeu nada. só ganhou! 🙂

  • 5. coracaodepoeta  |  09/10/2009 às 13:03

    será?!
    😉

  • 6. juzanotelli  |  13/10/2009 às 13:13

    hahahhaa.. creio que sim.

  • 7. coracaodepoeta  |  13/10/2009 às 13:51

    então, eu não deveria opinar, por ser o autor, porém… se eu for analisar de fora…

    é, não opinarei por ser o autor!
    hehehe…

  • 8. Alice  |  14/10/2009 às 17:49

    nossa!!!! rsrsrs já escrevi um email desse tipo, respirei fundo e DELETEI a tempo..só fiquei com os pensamentos mesmo. Bjssss

  • 9. coracaodepoeta  |  15/10/2009 às 09:46

    é moça, ninguém atirou a primeira pedra… ainda…

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