ars longa vita brevis e a flor de lótus…

04/10/2009 at 22:36 11 comentários

Quem não é fã do trabalho de alguém? Ser fã de uma pessoa só é válido quando o resultado de horas e mais horas gastas traduzem em sentimentos que serão arrancados por quem se arriscar a olhar/ouvir/sentir. Gostar de ‘um’ porque a natureza ajudou para que a beleza física fosse mais agradável é baixo, pequeno.

Ao ser fã, o que você imagina do seu ídolo? Sou, incontestável, e todos os meus leitores sabem, de Chico Buarque: acho o cara foda! Ele trata as palavras com o carinho que os anos me farão ter, já que o momento atual só me faz castigá-las – não por mal, mas elas me entendem.

Mas Chico Buarque não é um ser palpável, não é de verdade. Não posso sentar pra tomar um chopp com ele e perguntar se tem um disco novo em mente ou quando ele fará uma letra sobre mim ou de uma situação da qual presenciamos.

Quando esse blogue (no português, como as vezes me esqueço de fazer) foi criado, o momento era de renovação: estava saindo de um relacionamento e pensando (muito!) sobre o futuro, sobre a vida e do que estava procurando para o que estava por vir. Ele me deu muitas alegrias e forças para nunca desistir (sério! ele já me trouxe muitas alegrias!). E, por ele, surgindo vontades e mais vontades de feitos dos quais (ainda) não havia concretizado. Sua própria criação já foi um deles.

Comecei a escrever (coisa que sempre tive vontade), voltei a desenhar (mesmo que mal, mas não desisto) e a fazer coisas que não entendia o porquê de nunca ter feito. Uma delas foi pintar um tênis. E fiz. Depois dei uma melhorada, claro, mas se tivesse continuado uma merda, tentaria até, depois de muito tempo, desistir.

Pintar esse tipo de calçado, de uma marca famosa, posso dizer que foi o primeiro ‘desafio’ que cumpri. Mas para que ele fosse confeccionado, muita pesquisa sobre outros, e sobre quem já fazia, foi necessária. Em uma dessas pesquisas me deparei com os que mais gostei!

Eram tênis lindos, detalhados, cirurgicamente bem acabados, e ao olhar vinha a pergunta: foi feito à mão? Imposível! Isso foi impresso, não pode ter sido feito na munheca. Foram feitos à mão.

Claro que já vi a Capela Sistina, Mona Lisa, Salvador Dali (mesmo que de longe, mas conheço). Sei que existem trabalhos inacreditáveis. Mas você para pra pensar e vê um tênis, que é um acessório(?) do dia-a-dia, não imagina que ele é palco de uma obra da qualidade que ali portava.

Quis desistir, claro: ‘ah, não! Olha só o que essa menina faz? Nunca vou conseguir fazer isso!’. Claro que não, até porquê é a imagem dela, marca dela, traço dela. Nunca pensei em copiar, mas sim, chegar ao nível de excelência. Se chegarei ou não, também não é importante e sim, não desistir de tentar.

Meses atrás, após me socializar no Flickr (que é um lugar fantástico pra conhecer gente muito boa que faz trabalhos fantásticos), achei, não me lembro exatamente como, a mesma menina daqueles trabalhos dos quais, no final do ano passado, eu fiquei a babar e, se a primeira impressão foram desestimulantes (primeiros 30 segundos), nas segundas e terceiras, foram o gás necessário para fazer minhas coisas! Virou minha ‘musa’ inspiradora: o resultado de seu esforço, seja pra tênis ou qualquer outro objeto que faça, é a tradução de uma das coisas mais lindas que meus olhos já tiveram o prazer de passar sobre. Como pesquisa, sempre observo as maiores belezas existentes ao meu redor ou as que a internet possa me mostrar, logo: para chegar a essa conclusão, não tenham dúvidas do que falo.

Uma vez, no show do Toquinho, ele falou que um professor antigo dizia para ele que ‘se existe a voz de Deus na terra, ela é a música de Johann Sebastian Bach’. Minha vez, não sendo muito original, mas se Ele existe, e tem mãos na terra, com certeza usa as da Nanda Corrêa.

Tive o prazer de conhecê-la ao vivo, pessoalmente, cara-a-cara, on time, na bucha!

Conseguem imaginar o quão feliz foi pra mim? Quantas pessoas não passam a não-eternidade de suas existências admirando escritores, músicos, atores, cineastas, artistas e não conseguem chegar perto? Eu estive de corpo presente: passei uma tarde maravilhosa com a minha musa. Não me entendam mal, por favor. A menina é linda, mas não é isso, é a admiração pela qualidade de suas produções – lembrando que qualidade é o resultado de bom gosto, meticulosidade, beleza, escolhas certas, cuidado, carinho. E admiração esta, que me fez querer fazer mais e mais.

Tenho as dúvidas cabíveis a este texto, acredito não explicar o sentido da palavra ‘felicidade’ contida no coração (que tirando o nome do blogue, não é de poeta) deste que se propôs a fazê-lo, mas vamos lá, mais uma tentativa:

Todos os grandes têm sua marca, alguma característica forte. Se você ler alguma peça, pensa: Shakespeare. Se ouve certa melodia, Mozart. Vê um filme, Scorsese. Livro, Gabriel García Márquez. Desenho de uma flor de lótus: Nanda Corrêa – é inconfundível.

Imaginem se, ao trocar meia dúzia de e-mails com Chico Buarque, ele faz a seguinte pergunta: moramos no Rio, né? Quais as cargas d’águas a gente ainda não se encontrou para bater um papo? – E ao se encontrarem ele te prepara para o seguinte: Olha, fiz uma música pra você, me diz o que achas?

Muita maldade, não? Claro que não! Maravilhoso! Maldade seria se lhe fizessem uma música na velicidade 5.

Ela me deu um sketchbook (pra quem não sabe, é um caderno de rascunhos) e na capa uma arte sua: segundo as palavras da própria ‘é a junção de um ícone que te traduz (uma coração [de {falso}poeta]) com um ícone que é o meu trabalho (a[s] flor[es] de lótus)’. Não é uma das coisas mais perfeitas desse mundo, gente?! Me digam: quantas pessoas nesse mundo já tiveram um prazer que chegue perto desse que senti? (No final do texto tem fotos dele!!!! Lindo!!!)

É possível que vocês possam imaginar como fiquei. Para minha humilde pessoa, isto é reflexo de sucesso, mas outro dia explico o porquê; hoje só quero agradecer ao Cosmos por ter colocado essa pessoa maravilhosa, talentosa e de um coração gigante no meu caminho. E que, assim espero, muitas outras tardes divertidas e maravilhosas estarão por vir.

Em ‘Querida’, de Tom jobim, há uma paráfrase de Hipócrates: ‘Longa é a arte, tão breve é a vida’. Caso vocês tenham a sorte de um dia passar por pelo menos 5% de uma experiência parecida com a que tive, vão entender o porquê de tanta felicidade e querer que a afirmação anterior seja mentira, embora saibamos de sua veracidade, finjo que não, e como um entusiasta, e fã, jogo à todos os ventos:

Vida longa à Nanda Corrêa!

Esse foi o sketchbook, não é a coisa mais linda?

coracaodepoeta_bookcovercoracaodepoeta_bookcover01coracaodepoeta_bookcover02

Para conhecer mais sobre a moça:

flickr.com/photos/nanda_correa

E para os interessados em encomendar suas maravilhas, o endereço do Atelier:

kammiatelier.com

Se a vida tem me reservado encontros assim, com amizades maravilhosas como resultado (rezo ao Universo que sim – e ele tem me demonstrado isso – olha o olho-de-boi, hein?!), recorro a Fernando Sabino e, feliz em dizer, termino por aqui: nasci homem, morro menino


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o amor nos tempos da gripe… [ensaio] mais presente…

11 Comentários Add your own

  • 1. isoca  |  05/10/2009 às 00:09

    coisa mais linda? põe lindo nisso!

  • 2. nanda correa  |  05/10/2009 às 02:36

    Meu Deus o que uma simples criatura como eu fez para merecer tudo isso?! e “isso” entendam da seguinte maneira: receber o carinho de um moço tão inteligente, talentoso e que de quebra ainda tem um coração de poeta.
    Luiz me emocionei profundamente com suas palavras…(vc é muito bom nisso) e o nome do sentimento que domina meu ser neste momento é felicidade!!! Feliz de saber que ganhei um grande amigo!… daqueles que certamente levamos no coração pela vida inteira!!!!!!!!
    beijo grande!!!

  • 3. coracaodepoeta  |  05/10/2009 às 13:11

    O que você fez?
    Já deve ter ouvido falar do papel da arte na vida das pessoas, de seu poder de transformar em sorrisos e traduzir sentimentos.
    Clichê, mas é a mais límpida verdade.
    Então, quando se está perante a obras primas, a janela da alma fica aberta, e, despido de formalidades, nos entregamos ao que sentimos.
    Sua arte é perfeita. E é admirável quem vive dela.
    Já que tenho esse espaço, como não deixar claro para o mundo (que não é mais um apartamento) o que seu trabalho (fruto de horas de dedicação) me instigou/inspirou, o que me faz e futuro (e presente) bom que te reserva?
    Cometer injustiças não é o meu forte.

    E saber que serei levado a vida inteira, no coração, por uma pessoa como você, é um dos maiores sucessos que um ser pode almejar (e, consequentemente, alcançar) na brevidade que é a vida.
    Beijo grande

  • 4. Júlia  |  05/10/2009 às 17:59

    “sentir e guardar é o mais bem escolhido no momento”, gosto disso!

    Esses encontros da vida são por si só lindos… Linda a capa da nanda (suponho fernanda), que ela fez para o seu sketchbook. Firme e ao mesmo tempo delicado.

    Use e abuse!!

    beijos e saudades dos almoços!

  • 5. coracaodepoeta  |  05/10/2009 às 18:15

    sim, Julinha! Fernanda, Fernanda Corrêa, anota esse nome!

    Veja mais do trabalho dela. É fantástico.

    Beijos – Quanto aos almoços, é só marcar, volta e meia eu te vejo nos restaurantes daquela ilha…

  • 6. coracaodepoeta  |  05/10/2009 às 18:30

    é, Isis, lindona… é lindo demais, mesmo!

  • 7. Náshara  |  06/10/2009 às 12:19

    Bom, o J eu já conheço há anos, sei dos talentos dele, de como ele escreve bem, de como os desenhos dele me tocam. Mas eu tenho que admitir que conhecer essa moça (sim! eu também estava nesse encontro) foi uma agradável surpresa. O J não mente quando fala das qualidades dela, e vcs tem alguma dúvida do talento que ela tem?

  • 8. nanda correa  |  08/10/2009 às 19:32

    Johnny vc me dá licença pra fazer uns agradecimentos aqui?! hahahaha 😉
    agradecer a isis e a Júlia! fico feliz que gostaram!!!
    e dizer pra Náshara que adorei conhece-la!!! moça de uma alegria e brilho contagiantes!!!!! obrigada pelo carinho!!!!

  • 9. coracaodepoeta  |  09/10/2009 às 09:05

    sinta-se em casa, Fê!
    😉

  • […] E o Johnny escreveu sobre nosso encontro lá no blogue dele…emocionante!!!!  “ars longa vita brevis e a flor de lótus…“ […]

  • […] Quando e como eu conheci a Nanda Corrêa vocês sabem, não? Após ela fazer um trabalho em colaboração (conhecidas por aí como collab) […]

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