a arte do encontro…

04/05/2009 at 16:47 Deixe um comentário

como já dizia o poeta: a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida… muito provavelmente, não à toa, pessoas deixaram de se conhecer, e assim, perderam boas oportunidades, por segurarem seus instintos e suas vontades, escondendo-se atrás de desculpas, timidez ou que aquela outra situação que não deu certo, de uma hora pra outra, dê… quantas vezes, dentro de um supermercado ou shopping (para não citar mais exemplos), nos deparamos com um ‘alguém’ e, sem motivos aparantes, deixamos passar… deixamos de ‘ganhar’ por ser travados, nos travarmos ou por medo… estamos diante da futura mãe de nossos filhos, de um grande amigo, da pessoa mais inteligente que poderíamos conhecer, de uma paixão avassaladora que não dará em nada, ou do que mais puder ser, e, deixamos passar… simples assim… pensando nisso, nessas peças que o destino (sempre ele) poderiam lhe pregar, zé carlos se adiantou e resolveu que não desta vez, logo deste vez, principalmente desta vez, justo dessa vez, não deixaria vânia escapar…

estavam na sessão de produtos de limpeza, ele olhara umas duas vezes para ela, que retribuira todas e, não obstante, desencontravam os olhares… não sabia encarar aquela situação, não sabia paquerar com os olhos, estava despreparado, seu último relacionamento deixara-lhe inseguro… já vânia, por não ter percebido que ele tentava um approach visual, retribuira achando que conhecia-o de algum lugar, mas logo percebera que era um rapaz tímido e interessante, ficou na espera de ser um ‘algo a mais’, ou, na pior das hipóteses, que seu absorvente vazara e todos, não só ele,  saberiam que ela estava num dia não muito bom…

o cenário político era propício a relacionametos: se a crise é econômica, emotivamente estamos estáveis… e, com esse pensamento tolo, partia zé carlos à investida… rodeou-a por duas gôndolas e, antes que entrasse no corredor de produtos higiênicos, abordou-a:

– oi, você…

ela parou, abriu-lhe um sorriso, olhos surpresos, todos os músculos da testa ficaram enrugados e a espera de alguma conclusão ficou…

neste exato momento, zé carlos lembrou-se de todas as suas ‘derrotas’… na escola, faculdade, boates, barzinhos, até mesmo da fase quando começou a apelar… antes de continuar, vamos deixar claro: não, zé carlos não era horroroso, podia ser considerado um sujeito normal, de beleza, e sim, era super simpático, bem-humorado, seu único problema era timidez aguda.. tentava vencê-la, mas, definitivamente, não era o seu forte… foi então quando começou a apelar…

não cabe ao narrador julgá-lo, mas, caso tivesse dado certo em alguma investida sua, seria sujeira(e das grandes, mas com o próprio): passou a dar em cima de toda mulher que considerava feia! julgava ser feia, tava dando em cima…

após não conseguir nada, elas não acreditavam que aquele ‘ser’ era um homem descente… bonito demais para elas… ficavam achando que ele possuia alguma coisa que não valeria a pena… aquela velha história do caminhãozinho e da areia…

já vânia, recém separada (de um namoro, ainda não havia colocado a grinalda pra limpar o tapete da igreja, embora fosse esse um de seus maiores sonhos), estava à procura de alguém do mesmo perfil de zé carlos – solteiro, relativamente estruturado financeiramente, profissional de qualidade, nem muito bonito, nem muito feio, simpático e engraçado, queria alguém que a fizesse rir… mulher bonita, decidida, praticamente uma artista… gostava de se vestir com estilo – suas roupas eram, de uma primeira olhada, simples, mas ela gastava uma grana forte para ‘parecer simples’ – seus trabalhos manuais faziam sucesso em sua roda de amizade… diziam que ela estava perdendo dinheiro.. não tinha aspirações a isso… se pintasse a oportunidade, ‘a’ chance irrecusável, tudo bem…

seriam o casal perfeito…

vânia olhava pra ele, não acreditava que aquele pudesse ser o rapaz que iria tomar aquela garrafa de vinho que estava em sua cesta… pensou que só no ‘porquê’ estava ovulando, os machos da espécie sentem o cheiro, percebem a presa… sentiu-se bem… ainda estava ‘no mercado’ (perdão, por favor, pelo trocadilho)… ele poderia falar qualquer coisa, perguntar a marca do vinho, o nome dela, ‘que horas são?’, ‘é sandália, né? o nome disso aí no seu pé’, ‘qual o nome desse supermercado, mesmo?’…

mas zé carlos não aguentou a pressão…

ao olhar aquele mulherão, estilosa, segura de si, esperando ouvir a coisa mais genial do mundo (segundo ele), zé carlos, definitivamente não estava preparado… ficou 3 segundos interios intacto, olhando pra ela… não sabia o que falar… tanto treino, durante anos, esperava aquele momento, era o mais perto que ele já havia cruzado, em sua curta existência, do que poderia ser ‘a mulher de sua vida’… não sabia o que fazer…

ao ver os olhos da moça (até então, não sabia que se chamava vânia, ou talvez nunca viesse saber) se arregalarem, à espera de alguma pergunta, explicação, convite, ou o que fosse… se desesperou e só conseguiu dizer:

– desculpa incomodá-la, mas seu vestido está sujo de sangue, bem aí atrás…

Opções para o fim desta estória:

1ª Opção – A plausível:

– que isso?! você estava olhando pra minha bunda?!

– erghfblufgh…

– então? vai me dizer, ou não?

– blufgherghf…

– ok, no meu apartamento ou no seu?

2ª Opção – A romântica:

– ah, que lindo! você reparou?

– erghfblufgh…

– puxa! que bonitinho! obrigado pro me avisar…

– é que não poderia não te falar, tinha que avisar, não?

– claro… puxa… que amor você é…

– você quer ajuda para empurrar seu carrinho?

– claro, obrigado… e então: você mora aqui por perto?

3ª Opção – A irônica

– ah é, é? será que eu sentei na cabela degolada do meu ex e vim comprar vinho para beber o corpo?

– erghfblufgh…

– rapa fora, rapá! segue teu rumo…

4ª Opção – A real

– ãh?

– erghfblufgh…

– como é?

– blufgherghf…

– olha aqui, não estou de brincadeira… SEGURANÇA!

– desculpa, senhorita, é que seu vestido está sujo…

5ª Opção – A idade da pedra

percebeu que a mancha no vestido de vânia era sangue (da própria)… pegou o seu tacape e com um golpe certeiro arremessou-o na cabeça da moça… ao acordar, ela percebeu que estava sendo puxada pelos cabelos, indo para uma caverna desconhecida… teria que se acostumar com o fato…


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soneto de separação mulher traída…

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