3 contos…

11/03/2009 at 14:53 Deixe um comentário

ana maria…

ana maria borges queiroz de barros, o nome, por si só, já diz a tamanha imensidão da importância ‘sócio-coluna social’ desta grande mocinha de 1,53 m… família tradicional, avós, por parte de pai, desembargador, de mãe, diplomata… linhagem perfeita… pedigree melhor, não há…

nada fazia de sua vida… aos 29 anos, nunca havia, sequer, feito a sua carteira de trabalho… não precisava, mas não mais verdade que não possuía nenhuma vontade para tal… e, muito provavelemnte, nem vocação…

acordava, todos os dias, entre 10 e meia e meio-dia e meia… todos os dias ia pra noitada… atenção! eu disse TODOS OS DIAS!

adorava encher a cara e chegar em casa com nenhum dos sentidos funcionando direito… não era dada a confusões e também não costumava fazer besteiras pelos lugares onde frequentava… era sempre bem recebida no estabalecimento que escolhesse… não era casada, nem tinha um namorado fixo… saia com uns rapazes, mas nada sério também… sentia um vazio na sua vida, mas não sabia o que era…

já havia entrado no curso de pintura, música, literatura, escultura… nenhuma aptidão artística… matemática financeira, administração, engenharia de produção, contabilidade… nada!

não existia identificação com nada que não fosse sair para encher a cara e dançar… e todos os seus dias, sem excessão, eram assim…

juju…

juscelino juvenal (juju, para os íntimos) era um daqueles ‘cabras’ que não gostavam nem um pouco de trabalhar:

– trabalho bom é o meu, vou quando eu quero e faço do meu jeito!

a verdade é que juju era entregador da venda de seu leonor, pernambucano radicado carioca… ganhava vinte reais por dia de labuta, mas sentia um certo orgulho de trabalhar o dia que quisesse…  seu leonor, só lhe dara este trabalho por gostar muito do pai de juscelino, o velho mathias, que há alguns anos fizera-lhe uns favores, mas algo que só os dois sabem… segundo as más línguas (e essas existem aos potes), seu leonor pedira ao velho para ‘sumir’ com um andarilho da área, suspeitava que havia sido ele quem arrombara a sua loja, pois fora visto dormindo na rua, vestindo a camisa tricolor que servia de manto, pendurada na loja – alguns deram graças pelo sumiço – porém ninguém confirma a estória, ou por não possuir a certeza, ou por medo de ser alvo dos favores de mathias…

outro fato, que não pode ser considerado mentira, é que juscelino juvenal, o juju, é um rapaz burro, muito burro mesmo; uma topeira!

todos gostam dele… sua burrice é do tamanho de sua simpatia e presteza, mas é um jumento de dar gosto… e não é por gosto do destino (ah, o destino), mas com 42 anos de idade achar que ‘trabalho bom’ é o dele, convenhamos que esperteza, diferente do que o próprio pensa, não pode ser considerado seu ponto mais forte… arriscaria dizer que beira o nulo…

não foram poucas as vezes que o telefone de seu leonor recebia chamadas (à cobrar) para reclamações das entregas:

– seu leonor, eu ‘tava aqui ‘cas criança’, esperando leite, e aquele ‘minino’ num trouxe… ah, seu leonor, assim num dá não, hein?! o que que eu faço ‘quessirmininos’? ‘tá tudo ‘chorano’ aqui… num pára! tá tudo ‘cum fomi’… é só por quê eu vou pagar fiado, seu leonor?

e quase todos os dias (em que juscelino juvenal, o juju, ia trabalhar) eram assim…

zebra…

– woooooow! hey! tá me vendo não, dona?!

– ‘wow! hey!’ você… ‘tá maluco?! não sabe andar de bicicleta, é mal-educado e não me respeita? e que história é essa de ‘dona’? mais respeito, hein, rapaz?

– tu quase me atropelou! não viu? não viu? ‘ó’ as minhas ‘compra’ toda no chão… como é que eu vou entregar agora? me diz, só me fala isso: como é que eu vou entregar agora essas ‘compra’?

– não faço a menor idéia, estou mais preocupada com o meu parachoque… você sabe o quanto essa sua gracinha de passar com a bicicleta na minha frente vai me custar? tem alguma noção de que, mesmo que você trabalhe a sua vida toda, nunca terás condição de comprar um desses pra mim e que, se eu chamar a polícia neste exato momento, preso não serás, mas com certeza irás ter que pagar… então, por favor, dá pra parar de dar esse showzinho, catar essas compras, calar a boca e ir embora, por favor?

– mas dona, os ‘ovo’ ‘tão tudo quebrado…

– e…?

– e o que, dona?

– e o que eu tenho a ver com esses ovos? você ainda não foi embora? eu vou chamar a polícia é agora!

– que isso, dona? faz isso, não… dá uma moralzinha aqui pro amigo…

– que o moral o que? olha o meu parachoque! não está vendo?

– dona, o sinal ‘tava fechado… se a senhora chamar a polícia vai sair no preju… sorte que não me machucou nem nada, estou aqui…

– está aí… já deveria ter ido embora e ainda está me pedindo dinheiro…

– ‘tô pedindo nada, não… quero só que a dona dê uma forcinha aí pro amigo, sabe como é, né? tem os ‘ovo’ aí quebrado, o patrão num vai gostar nada disso, eu vou ‘falá’ o que? ‘foi uma dona bacana aí que quebrou’? ele num vai querer saber disso não… e ainda tá querendo chamar a polícia, sendo que o errado nem sou eu…

– cara, se eu te der um dinheiro você promete tirar essa bicicleta da frente, recolher essas compras e ir embora?

– se a madame puder me dar um carona…

– ah, por favor, né?! tira essa bicicleta da frente, e vai te embora… vai, vai logo…

– e num vai deixar nem 10 ‘merréizinhos’…?

– que o que? vou deixar nada e ainda passo por cima dessa bicicleta se não a tirá-la daqui agora mesmo…

ana maria entrou em seu honda civic, deu uma leve ré e juscelino juvenal, o juju, não acreditando nas palavras daquela moça tão pequena, mas tão bonita (até que havia sido bem educada diante dele), nem se afastou nem nada, resolveu pagar pra ver…

pois bem… além de ter pagado pra ver, terá que pagar os ovos que iria entregar e também a roda traseira da bicicleta da venda o qual trabalhava… e de quebra, ganhou um banho quando a roda do carro estourou uma caixa de leite…

já ana maria estava tranquila, mesmo com o estresse de não ter saído na noite anterior, agora estava mais relaxada… ia chegar em casa, dormir, tomar um banho e em 5, 6 horas estaria em algum lugar de seu agrado para dançar e beber a noite toda…


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apelos… all star novo…

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