a idade da boba…

26/02/2009 at 16:54 Deixe um comentário

até que o pensamento de mauro roberto, supostamente, estava certo… porém, o comportamento de lira, não…

ele acreditava que ela, pela idade, fosse ser madura, estável emocionalmente, bem resolvida; uma mulher que sabe o que quer! ledo engano… tirando os 12 anos a mais, era exatamente como as mocinhas da idade dele (sinceramente, talvez pior)… e era engraçado para mauro, ele é que parecia o coroa da relação… em todos os sentidos, até aparentava ser mais velho…

sabia exatamente o que queria, prestes a fazer 30 anos, preocupava-se com sua profissão, em consolidar trabalhos que teriam mais a ver com sua personalidade… não ligava de ainda morar com sua mãe… ela não se metia na sua vida, nem ele na dela, dividiam as contas do apartamento e ficava tudo na santa paz…

lira, por outro lado, mesmo morando com seus pais, no auge de seus quase 40 anos, estava mais preocupada em arrumar um namorado e ter alguém para esquentar a sua orelha nos finais-de-semana ou, grudar suas ventosas e não dar espaço para mauro se mexer…

bobo que não era, resolveu ser sincero desde o início:

– lira, sinceramente, este não é o meu momento de namoro…

– tudo bem, eu aceito! mas quero que você saiba que quando eu estou com alguém eu estou com alguém!

– ah, tranquilo… mas namoro eu não quero! não estou em momento de me envolver e desprender tempo só pra ficar deitado numa cama, comendo biscoito recheado e não fazer as coisas que eu realmente preciso fazer…

– não, não tem erro… mas qual a diferença de namorar ou sair sem compromisso?

mauro, nessa pergunta, já havia compreendido quais eram as intenções de lira, que, achando que tiraria da cabeça do rapaz a idéia de ficar solteiro, tentava, de todo jeito, mostrar a ele a não-diferença de ter um rótulo ou sair com uma pessoa apenas…

‘por que o título de namorado é tão importante para a maioria das mulheres?’ – pensava – ‘qual a diferença de ser namorado ou sair apenas?’, ‘necessita desse rótulo?’, ‘sei que não sou o único que sofro desse mal, amigos meus também passam por isso, mas só por quê somos atenciosos?’ – sim, mauro o era… e bastante, talvez esse fosse seu mal… mauro continuava a pensar muitas coisas – ‘será que mulher só gosta de cara filho-da-puta? sim, porquê aí sim ela num vai querer namorar… tirando isso, tem que ser MEU!’

após muito pensar, lira ligou para ele, bater um papo amigável… e lá veio mais cobranças…

– cara, quando eu tô com uma pessoa, eu tô com uma pessoa! – dizia ela de 5 em 5 minutos…

ele não conseguia entender o porquê de tanta afirmação, ele era um cara, podemos dizer, fiel… porém, lira, do alto de sua insegurança e neurose achava que ele comia todo mundo, queria pegar meio mundo… não se sabe se isso é fruto de péssimas relações anteriores, baixo auto-estima ou se era chata e grudenta mesmo… talvez um misto disso tudo… mauro não aguentava mais… feriu o orgulho da moça…

um dia, porém, menos de uma semana da última conversa em que resolveram que não sairiam mais, eles se encontraram na rua, estavam indo pra praia, cruzaram-se em pleno calçadão… ela falou com ele, com o grupo dele e ficou perto até o grupo dela chegar… bateram um papo… no meio da conversa mole, lira diz a mauro que o ‘peguete’ dela estava por chegar… mauro ficou pasmo (na verdade, cagou baldes) com aquela atidude, afinal, não era ela que ‘quando estava com alguém estava com alguém’?

foi então que mauro, que já estava à procura de uma pessoa interessante para sair algumas vezes, se tocou: ‘tenho que conhecer melhor as pessoas antes de iniciar qualquer coisa, caso contrário, só essas desinstabilizadas vão aparecer na minha frente’… percebeu que estava: a) ou sendo estepe / b) ou sendo vítima do desespero e despeito de uma pessoa que estava afim de outro, que andava solenemente pra ela / c) as opções anteriores mais o fato de ser tão grudenta que ninguém aguenta – e não parava de pensar – ‘pois é… tem que mostrar que há alguém que a queira… tadinha…’

mauro continuou a tomar sua cerveja e ficou pensando o quanto as coisas, pros outros, são difíceis, o quão infelizes os outros são e o quanto tinha sorte de ser um cara tranquilo, que sabia o que queria e que pessoas babacas continuariam a aparecer na sua frente, e o que ele pode fazer para que isso não aconteça? exatamente nada além de continuar a beber a sua cerveja… mas ‘peraí’… tem uma pessoa muito interessante ali do outro lado da rua…

e lá foi mauro puxar conversa com ela… quem sabe no que vai dar?


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kit kat até que não seria uma má idéia… mas não por agora…

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