o caso da rua plerck…

14/01/2009 at 15:52 Deixe um comentário

três foram as últimas badaladas ouvidas naquela madrugada de 31 março… susie baker tropeçava nos próprios pés a caminho de casa… o motivo de tamanha bebedeira: na véspera de completar 23 anos, seu noivo havia sofrido um acidente de automóvel e encontrava-se em coma… o casamento estava marcado para o dia 7 de abril, uma semana após o aniversário de susie…

os pais de derek não deixavam-na entrar no quarto… diziam que o acidente havia sido por culpa dela…

– foi imprudência de ambos – diziam eles, porém, retrucavam à favor do único filho – em 25 anos, nada parecido havia acontecido, depois que a senhorita resolveu ‘dar as caras’, essa situação se instalou em nossa residência…

sem querer julgar susie ou derek, a verdade é muito simples e dolorosa: susie não era quem os pais haviam planejado para derek… desde muito novo, diziam para seu filho que, depois de formado, se casaria com betty, sua prima… não sabe-se ao certo se por interesse da família de derek, afinal, betty era da parte nobre da família (a irmã da mãe de derek casara-se com um respeitado cidadão que, ao longo dos anos, recebeu o título de sir), ou se era um sentimento próximo ao ciúme, tendo em vista que os dois, na infância / adolescência, eram o que todos costumam chamar de ‘namoradinhos’…

marcie propôs a susie, depois da noite de orgias alcoólicas, uma carona… proposta negada! estava traumatizada com o acidente, sentia-se culpada… mesmo sabendo que nada havia feito… derek perdeu a direção ao tentar fingir que iria atropelar paul… este último era colega de trabalho de susie… trabalhavam na mesma empresa, mas em laboratórios separados; vizinhos…

naquela noite, pouco antes do acidente, eles haviam discutido na festa da empresa, após derek ver paul consolando o choro de susie, causado pela vergonha que seu namorado estava fazendo-a passar ao dançar apenas de sapatos, meias e roupa de baixo…

tinha um fraco para bebidas… não era inclinado a elas, diferente da namorada, mas não aguentava beber além de um copo… um simples copo… de qualquer bebida… era só ter álcool… ficava bêbado com café irlandês…

susie andara toda a rua baker cambaleando, todas as vezes das quais vira o nome achava graça, ‘minha rua!’ – e caia na gargalhada… chegando na esquina da rua plerck, viu seu sobrenome, de novo, estampado na placa e dessa vez não se conteve… os risos eram altos, muito altos… traduziam o desespero que estava sentindo naquela véspera de aniversário… ‘aliás, que horas são?’… olhou para o alto, procurou alguma torre com relógio e eram exatamente 3:58… quase quatro horas da madrugada… já passara meia-noite e sequer havia se lembrado do seu nascimento… nem marcie lhe dera os parabéns…

– ai, que vidinha… acho que quero morrer…

atenção, leitores: muito cuidado com o que desejam!

após profanar a vida com seus instintos de mulher abandonada, a sua redenção estava personificada na forma humana…

vestia uma roupa simples, mais que normal, mas não conseguiu identificar se era um vulto masculino ou feminino… conforme os passos iam tropeçando, mais próxima ao vulto ela ficava… passou por ele… continuo andando… um poste, um vulto, um cachorro dormindo… todos tinham a mesma importância para ela… mas susie tinha uma importância maior para o vulto…

agarrou-a por trás… o relógia avisava que as 4 horas da madrugada estava chegando… deu a primeira badalada…

– bléing…

o vulto sussurrou no ouvido dela:

– por quê você traiu a confiança alheia?

– bléing…

ela, sem entender o que estava acontecendo, falou suas últimas palavras, seguidas de seu último suspiro:

– eu fiz tudo o que foi pedido…

– bléing…

e um punhal de prata, cabo com revestimento de couro, as iniciais j.c. entalhadas em dourado, forjado, provavelmente, no final do século XVIII, atravessou a garganta de susie… e antes que o relógio desse a quarta badalada susie estava de joelhos, a última gota de vida acabara de jorrar de seu pescoço e ao soar do badalo, caía no chão… morta de arrependimento…


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Previsões para 2009 meta fora…

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